Enteado de Leila Pereira avança em negociações pela SAF do Vasco
A dirigente confirmou que Marcos Faria Lamacchia conduz as tratativas pela SAF e ressaltou que não integra as negociações nem a gestão dos negócios familiares vinculados ao grupo financeiro

Leila Pereira confirmou publicamente que o seu enteado, Marcos Faria Lamacchia, está envolvido em negociações para aquisição da Sociedade Anônima do Futebol vinculada ao Vasco da Gama. A presidente do Palmeiras afirmou que acompanha as informações publicadas sobre o negócio e ressaltou que não participa diretamente das tratativas empresariais do seu enteado.
Leila destacou que o empreendedor atua de forma independente da família que controla a instituição financeira ligada ao nome de seu marido José Roberto Lamacchia. Ela reiterou em entrevista que o enteado mantém negócios próprios, não integra a administração do grupo financeiro familiar e tem histórico empresarial separado das atividades do Palmeiras.
Em entrevista à Globo News, a dirigente confirmou que as conversas entre o empresário e representantes do Vasco ocorrem formalmente e com envolvimento de consultores especializados em operações societárias. Ela disse que não participa das negociações e que qualquer avanço dependerá exclusivamente de acordos entre as partes interessadas e da avaliação jurídica sobre títulos e participação acionária.
Marcos Faria Lamacchia tem 47 anos e é filho do empresário José Roberto Lamacchia e de Junia Faria, herdeira de parte da fortuna da família Faria. A linhagem o conecta ao legado do banqueiro Aloysio de Andrade Faria, que figurou em listas de bilionários e faleceu em 2020, informação que consta em perfis públicos sobre a família.
Fontes indicam que as conversas sobre a aquisição da SAF tiveram início no fim de 2025 e envolveram contatos preliminares entre o empresário e a direção do clube representada pelo presidente Pedrinho. Os relatos apontam para negociações em fases distintas, com estudos de viabilidade e propostas de estrutura societária que consideram participações minoritárias e controladoras conforme interesse de investidores.
A estrutura acionária da SAF do Vasco está segmentada e hoje contempla cerca de 30 por cento das ações sob controle do clube associativo, participação que mantém direitos de governança institucional. Outras fatias da sociedade incluem perto de 31 por cento em posse de um fundo estrangeiro e aproximadamente 39 por cento que permanecem em disputa judicial ou arbitral, condição que limita transferências imediatas.
A transferência integral do controle para um novo investidor depende da resolução da disputa sobre a fatia de 39 por cento, seja por acordo entre as partes seja por decisão de um tribunal arbitral. Sem a definição jurídica sobre essa parcela, qualquer proposta que pretenda oferecer controle ao comprador ficará condicionada à assinatura de termos que acomodem credores e acionistas envolvidos no processo.
Leila Pereira, no exercício do segundo mandato à frente do Palmeiras, tem o período previsto para encerrar-se em dezembro de 2027, conforme registros da direção do clube. Ela disse não ter intenção de se transferir para outro time por ora, mas não descartou a possibilidade de adquirir uma agremiação como pessoa física em momento posterior.
A dirigente afirmou acreditar no modelo de clubes-empresa como alternativa para gestão profissionalizada, argumento que tem sido recorrente entre executivos do setor esportivo nacional. Em tom pessoal, ela mencionou a vantagem de não depender de votos associativos nas decisões administrativas, observação que insere seu posicionamento sobre governança em clubes.
Fontes próximas ao empresário descrevem uma trajetória empresarial marcada por investimentos em setores variados e atuação com conselhos e participações societárias independentes da gestão do grupo financeiro da família. Esses antecedentes sustentam a versão pública de autonomia profissional apresentada pela presidente do Palmeiras e ajudam a compor o perfil requerido por clubes que buscam investidores com capacidade técnica e financeira.
Detalhes das propostas e dos termos negociados não foram divulgados e, segundo interlocutores, seguem sujeitos a cláusulas de confidencialidade e processos de due diligence em curso. A conclusão de eventuais negócios dependerá de avaliações financeiras detalhadas, aprovações internas e da compatibilização das expectativas de retorno para todas as partes envolvidas na operação.
Entre os desafios apontados por analistas estão a necessidade de solução da disputa arbitral, vistorias contábeis e a negociação de contratos trabalhistas e comerciais que incidem sobre o patrimônio da SAF. Além disso, a avaliação de sócios, torcedores e órgãos reguladores pode influenciar prazos e condições de fechamento, exigindo uma estratégia de comunicação alinhada aos interesses institucionais do clube.
Especialistas ouvidos por este jornal afirmam que a eventual aquisição pelo enteado de uma figura ligada à presidência do Palmeiras exige mecanismos claros de separação entre interesses pessoais e responsabilidades institucionais. A adoção de regras de compliance e a transparência sobre contratos e transações figuram entre as recomendações para evitar conflitos e preservar a governança esportiva do clube e do investidor.
No momento, as partes mantêm tratativas e não houve anúncio oficial sobre conclusão de qualquer negócio, com as negociações sujeitas a eventuais novas rodadas de proposta e ajuste contratual. O tema seguirá acompanhando pela imprensa esportiva e por analistas de mercado até que documentos públicos sejam apresentados ou decisões judiciais resolvam as disputas societárias em curso.