Flávio Bolsonaro e Lula ampliam disputa judicial no TSE antes do segundo turno
A ofensiva inclui pedidos de cassação, retirada de publicações e apurações sobre plataformas digitais, enquanto a corte amplia sessões dedicadas à propaganda eleitoral.

A disputa entre Flávio Bolsonaro, do PL, e Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, avançou sobre o TSE na reta final da eleição presidencial. Marcado para domingo (25), o segundo turno passou a concentrar pedidos de remoção de conteúdo, investigação eleitoral e cassação das chapas adversárias.
No sábado (10), a campanha de Flávio pediu a retirada do canal Exército do Lula, criado pelo deputado André Janones e seguido por milhões. Kássio Nunes Marques acolheu inicialmente a solicitação, mas Ricardo Villas Boas Cueva restabeleceu provisoriamente o canal e remeteu a decisão ao plenário.
A equipe de Lula, também no sábado (10), acusou a Meta de limitar alcance e impulsionamento de publicações, com possível benefício ao candidato do PL. Marco Aurélio Bellizze deu 48 horas para explicações e ordenou preservar registros de moderação, anúncios, métricas e eventuais falhas na contagem de visualizações.
Nas redes, Lula adotou vídeos em formato selfie e reuniu influenciadores ligados ao PT, enquanto Flávio intensificou transmissões ao vivo e mobilizou apoiadores. As campanhas passaram a trocar acusações sobre desinformação organizada, uso irregular de inteligência artificial, remuneração de perfis e interferência na distribuição de conteúdo.
Em ação apresentada na quinta-feira (8), Flávio apontou 32 perfis e 221 publicações que atribuiriam a ele propostas sem apoio factual. O pedido inclui retirada das postagens, restrições ao uso de publicações colaborativas, identificação de contas anônimas e cassação da chapa de Lula e Geraldo Alckmin.
Na sexta-feira (9), a coligação petista requereu a cassação de Flávio e Alfredo Gaspar, além da inelegibilidade deles e de Pablo Marçal. Os advogados afirmam que Marçal atuou como extensão da campanha e difundiu vídeo editado para atribuir a Lula uma ofensa dirigida aos evangélicos.
O TSE também mandou excluir peça de Lula sobre supostas perdas sociais com vitória de Flávio e retirou vídeo da primeira-dama Janja contra o adversário. Decisões contra Flávio determinaram apagar imagens geradas por inteligência artificial que mostravam situações inexistentes e vinculavam Lula a organizações criminosas sem elementos factuais.
Em julgamento colegiado, o tribunal ainda multou Flávio em R$ 5.000 por publicação que associava o presidente ao PCC e ao Comando Vermelho. Nunes Marques havia considerado a manifestação uma crítica política legítima, porém ficou vencido e aplicou o entendimento formado pela maioria dos ministros.
Diante do aumento dos processos, Nunes Marques ampliou para três por semana as sessões virtuais sobre propaganda eleitoral até o segundo turno. Bellizze foi designado juiz auxiliar para 2026 e atuará com Estela Aranha, André Mendonça e o presidente na distribuição das ações eleitorais.