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Goiânia chega ao período chuvoso com 135 pontos críticos e obras de contenção adiadas

Operação Tempo Fechado prevê orientação e bloqueios em 14 trechos com histórico de alagamento; radar meteorológico próprio ainda não tem data definida para aquisição.

A Prefeitura de Goiânia iniciou outubro de 2026 com medidas de prevenção e resposta aos impactos do período chuvoso. Sob a gestão do prefeito Sandro Mabel (União Brasil), o município anunciou ações de limpeza da rede de drenagem, monitoramento meteorológico, orientação a motoristas e preparação de equipes para atender ocorrências. O planejamento ocorre em um cenário no qual a Defesa Civil identificou 135 pontos críticos de alagamento na capital, enquanto uma das principais obras de contenção de águas pluviais foi adiada para 2027.

O levantamento da Defesa Civil Municipal identificou 135 pontos críticos, 36 a mais do que os 99 registrados em 2024. A atualização foi concluída após o último período chuvoso e encaminhada à Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana (Seinfra), responsável por intervenções na rede de drenagem. Durante as vistorias, equipes encontraram entulho nas galerias, inclusive concreto descartado irregularmente, material que pode comprometer o escoamento da água e contribuir para alagamentos.

Entre as medidas anunciadas está a Operação Tempo Fechado, conduzida pela Secretaria Municipal de Engenharia de Trânsito (SET) em parceria com a Defesa Civil. Iniciada em outubro, a iniciativa prevê ações educativas, distribuição de material informativo e orientação aos motoristas sobre áreas sujeitas a alagamentos. A operação identificou 14 trechos prioritários, entre eles locais da Marginal Botafogo, a Rua 87, no Setor Sul, e a Avenida Guarapari, nas proximidades do Parque Cascavel, no Jardim Atlântico.

A estratégia também prevê bloqueios preventivos e desvios de trânsito quando as condições meteorológicas representarem risco à circulação. A orientação é evitar a travessia de ruas cobertas pela água e procurar rotas alternativas durante temporais. As medidas procuram reduzir acidentes e impedir que motoristas e passageiros fiquem presos em áreas alagadas. A Prefeitura também mantém canais de orientação e atendimento por meio da Defesa Civil municipal.

Na área de zeladoria, a administração municipal apresenta como referência os serviços executados ao longo de 2025. Segundo balanço divulgado pela Comurg e pela Prefeitura, equipes da Seinfra desobstruíram 42.025 bocas de lobo, limparam 106.073 metros de ramais da rede de drenagem e realizaram a inspeção por vídeo de aproximadamente 86,1 quilômetros de galerias pluviais. No mesmo período, foram retiradas 4.271,75 toneladas de resíduos do sistema de drenagem. Os dados correspondem ao ano passado e não representam, isoladamente, o volume de serviços executados no início da atual temporada.

A manutenção também incluiu a recuperação de 2.530 dispositivos de captação, a substituição de 671 tampas de bocas de lobo e a reposição de 286 tampas de poços de visita. A limpeza das vias públicas e das sarjetas integra o conjunto de medidas, porque folhas, galhos e outros resíduos podem ser carregados pela enxurrada até as entradas das galerias. Em setembro de 2026, a Comurg informou que intensificou a varrição e a retirada de folhas secas em diferentes regiões da cidade, com equipes distribuídas em mais de 600 bairros.

Apesar das ações de manutenção, a limpeza não resolve todos os problemas de drenagem urbana. Em locais onde a rede não tem capacidade para receber grandes volumes de água em pouco tempo, são necessárias intervenções estruturais. O crescimento da área impermeabilizada, a concentração das chuvas, as características do relevo e a capacidade das galerias influenciam o escoamento. Por isso, a redução dos alagamentos depende tanto da conservação dos equipamentos existentes quanto da execução de projetos de maior porte.

A Marginal Botafogo concentra parte importante desse debate. A Prefeitura anunciou a construção de bacias de contenção, conhecidas como piscinões, para armazenar temporariamente a água da chuva e reduzir a pressão sobre o córrego e as vias próximas. A primeira estrutura foi estimada inicialmente em cerca de R$ 40 milhões. O projeto previa uma capacidade de armazenamento de aproximadamente 100 milhões de litros, conforme informações divulgadas pela imprensa local.

O cronograma, entretanto, mudou. Em 28 de setembro, o prefeito Sandro Mabel informou que a construção da primeira bacia não seria iniciada conforme a previsão inicial para 2026. Segundo declarações atribuídas ao prefeito, o custo da contratação emergencial ficou cerca de 30% acima do valor estimado. A administração decidiu rever o planejamento e avançar na elaboração dos projetos das intervenções previstas para a Marginal Botafogo e para a região da Marginal Cascavel. A previsão divulgada passou a apontar 2027 para o início das obras.

O adiamento tem efeito direto sobre o calendário de prevenção. As estruturas de contenção não estarão disponíveis nesta temporada para receber parte da água que chega aos córregos durante chuvas intensas. Até que as obras avancem, o município depende de ações como limpeza, monitoramento, bloqueio de vias e resposta emergencial para lidar com os episódios de alagamento. O cronograma dos piscinões, os custos atualizados e as etapas de contratação são, portanto, pontos relevantes para acompanhar nos próximos meses.

Outra medida anunciada pela gestão é a aquisição de um radar meteorológico próprio, com investimento estimado em aproximadamente R$ 15 milhões, segundo reportagem da CBN Goiânia. O equipamento permitiria ampliar o acompanhamento das precipitações e apoiar a identificação de chuvas intensas. Até as informações publicadas no início de outubro, porém, a Prefeitura não havia informado uma data definida para a compra. Enquanto isso, o município utiliza dados meteorológicos disponíveis e instrumentos de monitoramento, incluindo pluviômetros, para acompanhar as condições de chuva.

O plano municipal também prevê a atuação de um Gabinete de Crise para integrar o monitoramento meteorológico e a resposta às ocorrências. A proposta envolve preparar equipes e equipamentos, identificar áreas sujeitas a impactos e coordenar ações de diferentes órgãos. A efetividade dessa estrutura depende de protocolos claros, comunicação rápida entre as equipes e divulgação de alertas à população. A aquisição de novos equipamentos, quando concluída, deverá ser acompanhada separadamente das medidas que já estão em funcionamento.

No planejamento de longo prazo, Goiânia dispõe de um Plano Diretor de Drenagem Urbana, com propostas para manutenção e ampliação da infraestrutura, identificação de pontos vulneráveis e implantação de soluções de retenção e escoamento. Em abril de 2026, a Prefeitura disponibilizou documentos relacionados ao plano de ações e ao planejamento de emergência e contingência. A existência desses instrumentos estabelece uma referência para organizar intervenções, mas a execução precisa ser acompanhada por meio de projetos aprovados, licitações, contratos, orçamento e cronogramas.

Para avaliar o andamento das medidas, será necessário verificar quantos dos 135 pontos críticos receberam intervenções, quais obras estão efetivamente contratadas e quanto foi destinado à drenagem no orçamento municipal. Também será importante acompanhar a execução dos serviços de limpeza ao longo da temporada e registrar quais áreas voltam a apresentar alagamentos após temporais. A divulgação desses dados permitirá distinguir as ações anunciadas daquelas efetivamente concluídas e identificar onde persistem necessidades de intervenção.

Com o avanço das chuvas, Goiânia entra em uma fase em que a prevenção operacional e a capacidade de resposta passam a ser testadas pelas ocorrências reais. A gestão Sandro Mabel tem anunciado medidas de limpeza, monitoramento e orientação no trânsito, ao mesmo tempo que mantém projetos estruturais em desenvolvimento. O adiamento da bacia da Marginal Botafogo e a ausência de uma data definida para a aquisição do radar próprio são informações relevantes para acompanhar a execução do plano. Os resultados dependerão do andamento das obras, da manutenção da rede de drenagem e da capacidade de reduzir os riscos nos locais já identificados.

Redação GOYAZ

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