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Destinos turísticos de Goiás buscam crescer com mais infraestrutura

Expansão do setor coloca infraestrutura, ocupação hoteleira e conservação dos atrativos no centro da discussão

Goiás reúne destinos com perfis diferentes, mas que enfrentam uma questão comum: como transformar o aumento do fluxo turístico em atividade econômica permanente, com infraestrutura adequada, maior permanência dos visitantes e preservação dos atrativos. Pirenópolis, Caldas Novas, Alto Paraíso e Cidade de Goiás representam quatro modelos distintos desse mercado.

Em Pirenópolis, o desafio está relacionado à consolidação de um destino que já possui forte estrutura de hospedagem e gastronomia, mas ainda pode ampliar a permanência dos visitantes. O censo hoteleiro mais recente disponível aponta média de 3.790 unidades habitacionais e 9.431 leitos, além de uma oferta crescente de empreendimentos. A mobilidade urbana e a infraestrutura viária permanecem entre os pontos que acompanham a expansão do turismo.

Caldas Novas trabalha em uma escala ainda maior. A região de Caldas Novas e Rio Quente reúne 152 hotéis, 21.911 unidades habitacionais e 88.449 leitos. O levantamento do Observatório do Turismo mostra, porém, uma diferença importante entre aumento da oferta e ocupação: em Caldas Novas, o número de unidades habitacionais passou de 16.795 em 2019 para 19.017 em 2022/23, enquanto a taxa de ocupação registrada caiu de 53% para 38%. O dado coloca em discussão não apenas a capacidade de receber turistas, mas a necessidade de ampliar a ocupação e o consumo ao longo do ano.

Em Alto Paraíso, a principal questão é administrar o crescimento de um destino baseado justamente em seus recursos naturais. A Chapada dos Veadeiros reúne cachoeiras, trilhas, rios, áreas de conservação e comunidades que dependem da atividade turística. A região possui a Área de Proteção Ambiental de Pouso Alto, com cerca de 872 mil hectares, além do Parque Estadual Águas do Paraíso. Ao mesmo tempo em que novas iniciativas buscam transformar a biodiversidade em fonte de renda, infraestrutura, acesso e preservação precisam avançar conjuntamente.

Uma das iniciativas recentes em Alto Paraíso é o desenvolvimento do turismo de observação de aves, que procura transformar a biodiversidade do Cerrado em uma atividade econômica associada à conservação. O projeto envolve inventário de espécies e participação de organizações locais. A experiência mostra uma possibilidade de diversificação do turismo para além dos períodos de maior procura por cachoeiras e feriados.

Na Cidade de Goiás, o calendário cria uma oportunidade específica. O município completa 300 anos em 2027 e estruturou um projeto que prevê ações de preservação do patrimônio, qualificação dos espaços públicos, turismo, economia criativa e melhorias urbanas. A questão agora é acompanhar quais dessas iniciativas chegarão à população e ao visitante antes das comemorações e quais poderão permanecer como legado depois do tricentenário.

Os quatro destinos também mostram que turismo não se resume à quantidade de visitantes. Hotéis, restaurantes, comércio, transporte, atrativos, trabalhadores, eventos e serviços formam uma cadeia que precisa funcionar de maneira integrada. O próprio planejamento estadual para o setor estabelece como objetivos fortalecer as cadeias produtivas, aumentar a formalização e ampliar o fluxo turístico, enquanto dados do Observatório indicam que natureza, ecoturismo e aventura estão entre as principais motivações dos visitantes do Centro-Oeste.

A próxima etapa para as cidades turísticas de Goiás é medir o que acontece depois da chegada do visitante. Quanto tempo ele permanece, quanto gasta, quais serviços utiliza, quantos empregos são gerados e quanto dessa movimentação permanece na economia local são indicadores que ajudam a mostrar se o turismo está apenas aumentando o fluxo ou produzindo desenvolvimento. Pirenópolis, Caldas Novas, Alto Paraíso e Cidade de Goiás têm características diferentes, mas permitem acompanhar a mesma questão: como transformar turismo em atividade econômica contínua sem comprometer os patrimônios que atraem os visitantes.

Redação GOYAZ

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