EUA avaliam proposta iraniana de 14 pontos e mostram ceticismo
Presidente americano afirmou que não considera os termos aceitáveis.
Na noite do sábado (2) o presidente dos Estados Unidos afirmou que analisaria uma nova proposta iraniana de quatorze pontos destinada a encerrar confrontos na região. Ele disse não imaginar que os termos apresentados pelos iranianos possam ser aceitáveis para Washington e destacou divergências internas em Teerã como fator que dificulta um entendimento duradouro.
O pronunciamento ocorreu após o presidente ter declarado insatisfação com um plano enviado por Teerã a mediadores no Paquistão sem detalhar os pontos rejeitados. O posicionamento reforça dúvidas sobre a possibilidade de negociações diplomáticas entre os dois países avançarem de forma rápida diante de relatos sobre ceticismo mútuo e descoordenação política.
O presidente afirmou que houve avanços em negociações internas iranianas mas que não está convencido de que as lideranças da República Islâmica venham a concluir um acordo satisfatório. Ele acrescentou que percebeu tremenda discórdia entre autoridades iranianas o que segundo sua avaliação reduz a probabilidade de um entendimento consistente entre os interlocutores.
Autoridade militar iraniana de alta patente afirmou que indícios indicam a falta de compromisso americano com promessas e advertiu sobre medidas de retaliação além do previsto. O tom da declaração reacendeu tensões e foi acompanhado por menções a ações ‘surpresa’ que segundo Teerã excederiam a capacidade de previsão do adversário.
O governo americano acelerou a aprovação de vendas de armamentos avaliada em cerca de oito bilhões de dólares destinada a parceiros do Oriente Médio como parte de uma resposta regional. Entre os beneficiários anunciados figuram Catar Israel Emirados Árabes Unidos e Kuwait que receberão sistemas de defesa aérea mísseis guiados a laser e componentes como os Patriot.
O presidente voltou a indicar que não comunicará formalmente ao Congresso ações militares relacionadas ao conflito com o Irã e citou precedentes de ocupantes anteriores da Casa Branca. Ao falar com repórteres na Flórida ele afirmou que outros chefes de Estado também teriam feito operações significativas sem consulta legislativa alegando questão de constitucionalidade e prerrogativa executiva.
O presidente reiterou que tal procedimento não seria inédito nas suas palavras e que ele não se considerava o primeiro a adotar medidas sem notificação prévia ao Legislativo. A declaração gerou questionamentos entre legisladores que defendem a necessidade de fiscalização e debate sobre limites constitucionais do emprego de forças no exterior.
O líder americano também criticou a Alemanha ao afirmar que os Estados Unidos planejam retirar muito mais do que cinco mil soldados do país em resposta a discursos de autoridades europeias. A movimentação foi anunciada pelo Pentágono na sexta (1) e ocorre após declarações do chanceler alemão sobre humilhação americana no contexto das hostilidades com o Irã.
A Base Aérea de Ramstein que abriga a sede das Forças Aéreas dos Estados Unidos na Europa foi mencionada nas discussões como um elemento logístico relevante para operações e dissensos entre aliados. A referência ao local reforça o caráter transatlântico das repercussões do conflito e alimenta debate sobre o papel de bases americanas em campanhas regionais e sua gestão conjunta com parceiros.
Autoridades iranianas não descartam a retomada do conflito e mantêm postura que combina ofertas de negociação com advertências sobre respostas militares contundentes em caso de escalada. Analistas consultados destacam que a incerteza sobre a coerência decisória em Teerã e a velocidade de armamentos na região podem prolongar a crise e complicar esforços diplomáticos imediatos.