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EUA restringem cientistas em reuniões internacionais sobre surtos

Diretiva limita contato direto entre instituto de doenças infecciosas dos EUA e organismo global de saúde.

O governo dos Estados Unidos adotou uma determinação que limita a participação de pesquisadores do instituto federal responsável por doenças infecciosas em conversas multilaterais sobre surtos. Documentos internos e fontes envolvidas nas comunicações confirmam que a restrição impediu contato direto com organismos de saúde globais durante episódios de emergência sanitária.

A diretiva foi aplicada ao Niaid, a divisão que coordena pesquisas sobre vírus e desenvolvimento de contramedidas e que teve liderança reconhecida por décadas em pesquisa biomédica. Antes da medida, equipes do instituto participavam de fóruns internacionais e forneciam análises técnicas em tempo real para rastrear e avaliar riscos de surtos emergentes.

A proibição ficou em vigor durante um surto de hantavírus que afetou passageiros de um navio de cruzeiro e motivou medidas de quarentena em solo americano. Em resposta ao agravamento de um surto de Ebola na África central, a política foi atenuada para permitir a presença limitada de pesquisadores em reuniões virtuais, conforme e-mail datado domingo (18).

O acesso passou a permitir participação de pequenos grupos de especialistas designados apenas em ‘capacidade de escuta’, sem autorização para atuar como representantes oficiais nas discussões. Qualquer seguimento técnico dessas reuniões deveria ser canalizado por meio do Departamento de Saúde e Serviços Humanos, que supervisiona a agência federal responsável pelo instituto citado.

Especialistas atuais e ex-funcionários disseram que as limitações prejudicaram a troca ágil de informação com contrapartes internacionais em momentos críticos de decisão técnica. Uma fonte descreveu o episódio como atípico para respostas a emergências de saúde pública, destacando o risco de atraso na detecção e no encaminhamento de sinais epidemiológicos relevantes.

A diretriz integra um recuo mais amplo da administração em fóruns multilaterais de saúde, incluindo a saída formal do principal organismo de saúde global no mês de janeiro do ano passado. O movimento coincidiu com vagas em cargos de liderança de agências federais de saúde, situação que observadores e ex-funcionários qualificaram como sem precedentes.

Entre as funções não ocupadas ou com indicação não confirmada estavam os cargos de diretor do instituto de doenças infecciosas, do cirurgião-geral e do diretor da agência de controle e prevenção de doenças. Também havia vacância na direção da agência reguladora de alimentos e medicamentos e no posto de secretário adjunto, o que reduziu a coesão das cadeias de comando durante crises sanitárias.

Em nota, o Departamento de Saúde e Serviços Humanos afirmou que se envolve com o organismo global por meio do centro de controle e prevenção e coordena ações para evitar duplicação. O porta-voz disse que equipes do departamento trabalham em rastreamento de contatos, diagnósticos e contramedidas médicas para reduzir incertezas nas respostas a surtos.

Quando passageiros americanos desembarcaram no Nebraska após o surto a bordo do navio, um secretário-assistente foi enviado como representante público da administração para acompanhar o atendimento hospitalar. A fonte consultada afirmou que agentes de nível superior não estavam disponíveis para assumir a coordenação pública da resposta, situação que expôs limitações operacionais durante o episódio.

O presidente apresentou indicações para os cargos de cirurgião-geral e de direção do centro de controle, mas os nomes ainda não foram formalmente encaminhados para confirmação no Senado, segundo interlocutores. Enquanto isso, a agência reguladora perdeu seu comissário recentemente e postos estratégicos permanecem vagos, o que mantém incerteza sobre a capacidade de resposta em crises sanitárias.

Analistas externos apontaram que a redução de parcerias e cortes em programas internacionais fragilizaram redes de vigilância e resposta que antes reportavam sinais precoces de surtos na África central. Sem múltiplos pontos de contato governamentais disponíveis, organizações locais teriam perdido vias para encaminhar informações por meio da hierarquia apropriada, segundo observadores familiarizados com a cooperação internacional.

A agência das Nações Unidas que monitora doenças elevou a avaliação do risco do surto em um país do centro da África para ‘muito alto’ no nível nacional, enquanto o risco internacional foi mantido baixo. Nenhum caso foi confirmado nos Estados Unidos, mas passageiros com histórico recente de viagens à região afetada passam por triagem em aeroportos selecionados para monitoramento e medidas sanitárias preventivas.

A medida de restrição ao instituto coincidiu com mudanças recentes na liderança, inclusive com a saída do diretor interino, fato confirmado por parlamentares em audiência pública na semana passada. Especialistas afirmam que o restabelecimento de canais diretos de comunicação técnica e a nomeação de titulares para cargos de liderança são passos necessários para reduzir vulnerabilidades nas respostas a surtos sanitários futuros.

Redação GOYAZ

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