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Marconi e Wilder exploram problemas do governo para confrontar Daniel na reta final

Filas na saúde, planejamento, situação fiscal, infraestrutura e relação com o agro estão entre os principais pontos de confronto

Marconi Perillo (PSDB) e Wilder Morais (PL) intensificaram, na reta final da campanha, as críticas ao governo de Daniel Vilela (MDB). Em debates e sabatinas, os dois procuram deslocar o centro da disputa da ideia de continuidade administrativa para uma discussão sobre resultados, execução de políticas públicas, situação fiscal e capacidade de investimento do Estado. Embora tenham trajetórias e discursos distintos, saúde, infraestrutura, contas públicas e relação com o setor produtivo aparecem entre os principais pontos de convergência.

A saúde se tornou um dos principais focos dos ataques. Wilder tem questionado diretamente as filas para consultas, exames, internações e cirurgias e cobrado de Daniel explicações para a permanência desses problemas. Em debate do Mais Goiás, o senador colocou a fila da saúde no centro do confronto e defendeu a contratação de leitos da rede privada como uma das medidas para reduzir a espera. Daniel respondeu citando a ampliação da estrutura hospitalar, policlínicas e a realização de mais de 35 mil cirurgias eletivas no último ano.

Marconi também explora a área da saúde, mas utiliza outro argumento. O tucano questiona a dimensão das novas estruturas apresentadas pelo governo e contesta a origem de parte das unidades. Em sabatina, afirmou que as policlínicas anunciadas pelas administrações Caiado-Daniel teriam aproveitado estruturas dos antigos Ambulatórios Médicos de Especialidades (AMEs), implantados durante seus governos. A crítica faz parte de uma estratégia mais ampla de contestar a autoria e o caráter de novidade de programas e obras apresentados pela atual administração.

Esse discurso aparece também na educação e nos programas sociais. Marconi afirma que iniciativas como os Itegos, posteriormente denominados Escolas do Futuro, além do Restaurante Cidadão, Bolsa Universitária, Renda Cidadã e Vapt Vupt, teriam sido apenas renomeadas ou reformuladas pelo governo atual. A crítica procura atingir diretamente um dos elementos centrais da candidatura de Daniel: a apresentação da atual administração como continuidade de um ciclo iniciado por Ronaldo Caiado. O Hoje

Outro alvo de Marconi é o planejamento de longo prazo. O ex-governador afirma que Goiás teria perdido ritmo de investimentos e deixado de manter uma agenda de obras estruturantes. Em sua sabatina, ele contrapôs a atual administração às suas próprias gestões e citou rodovias, hospitais, escolas, saneamento, habitação e outras obras como referência do período em que esteve no governo. Trata-se, portanto, de uma crítica baseada na comparação entre ciclos administrativos e na tentativa de recolocar sua própria experiência como parâmetro para avaliar o presente. O Hoje

As contas públicas também entraram no discurso de oposição. Marconi afirma que Goiás terminou 2025 com déficit de aproximadamente R$ 4,5 bilhões e projeta um resultado ainda maior para 2026. Ele também questiona a evolução da dívida estadual e a condução do Ipasgo. Essas afirmações fazem parte da argumentação eleitoral do candidato e precisam ser confrontadas com os dados oficiais de execução orçamentária e situação fiscal do Estado antes de serem tratadas como conclusão independente sobre as contas públicas.

Wilder, por sua vez, concentra parte da crítica econômica na relação do governo com o agronegócio. O senador voltou a atacar o Fundeinfra e a cobrança feita sobre o setor produtivo, afirmando que não pretende criar novas taxas e cobrando resultados para os recursos arrecadados. Daniel respondeu mencionando obras de infraestrutura em andamento e intervenções destinadas ao escoamento da produção. O confronto coloca em lados opostos duas narrativas: a cobrança sobre o custo para o produtor e a defesa dos investimentos realizados com os recursos.

Na segurança pública, Marconi também procura estabelecer contraste com a atual gestão. Ele afirma que Goiás teria hoje cerca de 4 mil policiais militares a menos do que em 2018 e defende a convocação de policiais aposentados e da reserva, além de concurso para ampliar o efetivo. Em debates, recuperou ainda medidas implantadas durante seus governos, como delegacias especializadas e Patrulhas Maria da Penha, para sustentar sua crítica à política atual.

A estratégia dos dois candidatos, portanto, não é exatamente a mesma. Marconi procura confrontar Daniel pelo legado administrativo, questionando a autoria de obras e programas, o planejamento e os investimentos realizados nos últimos anos. Wilder concentra sua ofensiva em problemas de atendimento e cobrança por resultados, principalmente na saúde e na infraestrutura, além de explorar a relação do governo com o agronegócio. Nos debates, entretanto, os discursos se encontram na tentativa de colocar em dúvida a ideia de que a continuidade administrativa seria suficiente para justificar a manutenção do grupo no poder.

Na reta final, o principal campo de disputa passou a ser, assim, a interpretação dos resultados do governo. Daniel apresenta a continuidade como sequência de investimentos e ampliação de serviços, enquanto Marconi e Wilder procuram colocar no centro da campanha aquilo que consideram lacunas dessa gestão: filas na saúde, obras e investimentos, situação fiscal, segurança, infraestrutura e custos para o setor produtivo. O embate transforma a eleição em uma disputa também sobre quem tem o direito de definir o balanço dos últimos anos de governo em Goiás.

Redação GOYAZ

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