Autoridades do Crescente Vermelho da Líbia informaram em comunicado que um barco quebrou e ficou à deriva por oito dias no Mar Mediterrâneo, resultando em mortes. Fontes de segurança líbias indicaram que equipes de resgate localizaram sobreviventes e corpos próximos à cidade de Tobruk, na região oriental do país junto à fronteira com o Egito.
O Crescente Vermelho confirmou que 17 imigrantes foram encontrados mortos e que nove pessoas permanecem desaparecidas após o naufrágio, segundo as informações divulgadas quarta-feira (29). As operações de busca e salvamento envolveram a Marinha e a Guarda Costeira do Exército Nacional Líbio e resultaram no resgate de sete sobreviventes, informaram as fontes à imprensa.
Imagens divulgadas pelo Crescente Vermelho mostram voluntários colocando corpos em sacos plásticos pretos e transportando-os em carrocerias de caminhonetes, conforme relataram testemunhas presentes no local. Autoridades disseram que as equipes seguem diligenciando nas áreas costeiras para localizar os desaparecidos e que há expectativa de que corpos possam ser encontrados nas praias nos próximos dias.
A Líbia permanece como rota de trânsito para migrantes provenientes principalmente da África Subsaariana que atravessam o deserto e embarcam para tentar chegar à Europa. Organizações humanitárias e agências de segurança alertam para os riscos das travessias e para a atuação de grupos de tráfico que exploram a vulnerabilidade dos migrantes durante o percurso.
Na terça-feira (28) o procurador-geral anunciou que o Tribunal Criminal de Trípoli condenou quatro integrantes de uma quadrilha em Zuwara por crimes relacionados ao tráfico de pessoas, sequestro e tortura. As penas aplicadas chegam a vinte e dois anos de prisão e as autoridades destacaram que as investigações continuam para identificar outros envolvidos nas redes que promovem as viagens marítimas irregulares.
Em outra investigação o Ministério Público ordenou na segunda-feira (27) a prisão de membros de uma quadrilha acusada de enviar um barco em ruínas a partir de Tobruk. Segundo o procurador-geral, esse incidente anterior resultou na morte de trinta e oito cidadãos de nacionalidades sudanesa egípcia e etíope e motivou novas operações de busca e responsabilização criminal.
Equipes do Crescente Vermelho atuaram em cooperação com unidades navais e da guarda costeira do Exército Nacional Líbio durante as operações de resgate e recuperação realizadas nas proximidades de Tobruk. Autoridades locais informaram que as condições das embarcações utilizadas por traficantes são precárias e que a fiscalização nas áreas de embarque enfrenta limitações estruturais e operacionais.
Organizações internacionais e órgãos humanitários têm emitido alertas sobre o aumento de episódios de naufrágio no Mediterrâneo e sobre a necessidade de medidas coordenadas para prevenir novas perdas de vidas. Analistas ressaltam que a combinação de conflitos regionais pobreza e rotas de trânsito inseguras aumenta a demanda por serviços de tráfico e exige respostas que integrem ações de segurança e assistência humanitária.
As fontes de segurança manifestaram expectativa de que os corpos dos desaparecidos sejam localizados nas praias nos próximos dias à medida que as equipes ampliem a varredura costeira. O procurador-geral afirmou que as investigações prosseguem com a finalidade de responsabilizar os organizadores das viagens e de identificar eventuais omissões que contribuíram para as mortes em alto mar.
Autoridades líbias declararam que reforçaram patrulhas marítimas e que pretendem intensificar ações judiciais e administrativas para desarticular redes de tráfico e reduzir partidas irregulares. Organizações humanitárias apelaram por medidas de proteção aos migrantes e por ampliação de mecanismos de acolhimento na região que possam mitigar o risco de novas tragédias no mar.