Eixo InovaçãoMercado DigitalTecnologia

Spotify vai pagar criadores brasileiros por podcasts e vídeos na plataforma

Partner Program chega ao país com diferentes fontes de receita e integra expansão para mais de 35 novos mercados.

O Spotify anunciou nesta quinta-feira (17) a chegada ao Brasil de seu programa de monetização voltado a criadores de podcasts e videocasts. A iniciativa permitirá que produtores de conteúdo recebam dinheiro a partir da audiência, de anúncios exibidos pela plataforma e de patrocínios negociados diretamente com marcas.

Chamado Spotify Partner Program, o modelo já funciona em mercados como Estados Unidos, Reino Unido, Canadá e Austrália e será ampliado para mais de 35 novos países e territórios. Além do Brasil, a expansão alcançará diferentes regiões da América Latina, Europa e Caribe.

A liberação ocorrerá gradualmente nos próximos meses.

A estratégia aproxima ainda mais o modelo de negócios do Spotify daquele adotado por grandes plataformas de vídeo, nas quais o criador pode transformar o consumo do conteúdo em uma fonte direta de receita.

Para os produtores brasileiros, a mudança amplia as possibilidades de monetização dentro da própria plataforma, especialmente para quem trabalha com podcasts em vídeo.

Programa terá diferentes fontes de receita

O Spotify Partner Program combina diferentes mecanismos de remuneração.

Um deles é direcionado aos videocasts assistidos por assinantes Premium. Nesse modelo, a receita considera fatores relacionados ao consumo do conteúdo pelos usuários elegíveis.

Isso significa que criadores de podcasts em vídeo passam a ter uma possibilidade adicional de remuneração ligada diretamente à audiência alcançada dentro da plataforma.

Outra fonte será a publicidade.

Anúncios poderão ser inseridos nos episódios consumidos por usuários da modalidade gratuita do Spotify e também em determinadas reproduções realizadas fora da plataforma.

Os criadores participantes poderão escolher os intervalos destinados à publicidade.

A documentação atual do Spotify estabelece participação de 50% nos lucros reconhecidos quando um anúncio monetizado pelo serviço é reproduzido nos episódios participantes.

Há ainda uma terceira alternativa: os patrocínios negociados diretamente pelos produtores.

Nesse caso, o criador poderá fechar campanhas com empresas e utilizar ferramentas disponibilizadas pelo Spotify para administrar e acompanhar essas ações.

A receita obtida diretamente com esses patrocínios continuará integralmente com o podcaster.

Videocasts ganham importância

A expansão reforça a estratégia do Spotify para aumentar sua participação no mercado de podcasts em vídeo.

Durante muitos anos, o serviço esteve associado principalmente ao streaming de músicas e conteúdos exclusivamente em áudio. O crescimento dos videocasts, entretanto, aumentou a concorrência com plataformas tradicionalmente relacionadas ao vídeo.

Ao remunerar criadores também pelo consumo visual de seus programas, o Spotify cria um incentivo para que produtores publiquem seus conteúdos completos dentro do serviço.

A iniciativa também tenta manter os usuários por mais tempo no aplicativo.

Em vez de utilizar o Spotify apenas para ouvir determinado podcast e procurar a versão em vídeo em outra plataforma, o público pode consumir os dois formatos no mesmo ambiente.

O programa permite justamente que o criador publique conteúdos capazes de funcionar tanto para quem prefere assistir quanto para quem deseja apenas ouvir.

Premium terá menos anúncios nos vídeos

A mudança também afetará a experiência dos assinantes Premium.

Nos mercados contemplados pelo programa, usuários pagos que assistirem a videocasts participantes terão uma experiência sem os anúncios dinâmicos inseridos pelo Spotify.

Isso não significa que os programas ficarão completamente livres de publicidade.

Patrocínios gravados diretamente pelos apresentadores ou incorporados ao conteúdo continuarão aparecendo normalmente.

Assim, um podcast pode continuar apresentando uma marca patrocinadora durante o episódio mesmo quando assistido por um assinante Premium.

A diferença está nos anúncios adicionados dinamicamente pela própria plataforma.

O Spotify tenta, dessa maneira, criar uma experiência mais próxima de um serviço de vídeo por assinatura para os usuários Premium, sem eliminar a possibilidade de os produtores manterem acordos comerciais próprios.

Criadores precisam cumprir requisitos

A entrada no Spotify Partner Program não será automática para todos os podcasts disponíveis na plataforma.

Os produtores precisarão atender aos critérios de elegibilidade estabelecidos pelo serviço quando o programa estiver efetivamente disponível no Brasil.

Segundo o anúncio da expansão, os critérios foram flexibilizados neste ano para permitir a entrada de mais criadores.

A configuração divulgada para a nova fase considera pelo menos mil integrantes de público no Spotify, 2 mil horas de consumo nos últimos 30 dias e a publicação de pelo menos três episódios.

Além dos números mínimos, o conteúdo precisará cumprir as políticas de monetização da plataforma.

O Spotify também analisa os programas antes de permitir a participação.

Os requisitos são importantes porque diferenciam a simples publicação de um podcast da entrada no sistema de remuneração.

Um programa poderá continuar sendo distribuído normalmente no Spotify mesmo sem alcançar as condições necessárias para participar do Partner Program.

Spotify diz que pagamentos aumentaram

A empresa utiliza os resultados obtidos nos países onde o programa já funciona para justificar a expansão.

Segundo dados divulgados pelo próprio Spotify, os pagamentos mensais totais destinados aos programas participantes aumentaram mais de um terço desde que a companhia flexibilizou os critérios de elegibilidade.

Os podcasts em vídeo participantes também registraram crescimento médio superior a 45% nas horas de consumo desde o lançamento da iniciativa.

Os números são fornecidos pela própria plataforma e representam os programas incluídos no Partner Program, não necessariamente todo o mercado de podcasts.

O Spotify cita alguns produtores como exemplos dos resultados.

Entre eles está o programa “SOLVED”, apresentado por Mark Manson. Segundo a empresa, o podcast passou a reunir no Spotify três vezes mais ouvintes do que em outras plataformas.

Outro caso citado é “Mystery Mondays”, de Bella Fiori. A criadora passou a utilizar parte da receita obtida por meio do programa para apoiar campanhas relacionadas aos casos abordados em seu conteúdo.

América Latina está no centro da expansão

O Brasil não será o único país latino-americano incluído.

A expansão alcançará também México, Colômbia, Chile, Peru, Equador, Guatemala, Costa Rica, Uruguai, El Salvador, República Dominicana, Paraguai, Honduras, Panamá, Bolívia e Nicarágua, além de diferentes países e territórios do Caribe.

Na Europa, mercados como Itália, Espanha, Polônia, Malta, San Marino e Andorra também entrarão no programa.

Ao todo, mais de 35 novos mercados serão adicionados.

É a maior expansão do Partner Program desde sua criação.

A estratégia mostra que o Spotify pretende transformar o modelo em uma estrutura global de monetização, em vez de mantê-lo concentrado nos principais mercados de língua inglesa.

Podcasts disputam espaço com plataformas de vídeo

A movimentação ocorre em um momento no qual a fronteira entre podcast e programa de vídeo está cada vez menos definida.

Muitos dos podcasts mais populares atualmente são gravados em estúdios com múltiplas câmeras e posteriormente distribuídos em versões completas ou trechos nas redes sociais.

Essa transformação aumentou a importância de plataformas capazes de combinar áudio e vídeo.

Para o Spotify, permitir a monetização dos videocasts é também uma forma de disputar a atenção de produtores que poderiam concentrar seus conteúdos em serviços concorrentes.

A remuneração passa a funcionar como incentivo para que o episódio em vídeo seja publicado diretamente no Spotify.

Ao mesmo tempo, o criador ganha a possibilidade de obter receitas diferentes a partir de um único programa: audiência Premium, publicidade automática e contratos próprios de patrocínio.

Patrocínio continua nas mãos dos produtores

A manutenção integral da receita dos patrocínios negociados pelos próprios criadores é outro elemento da estratégia.

Podcasts frequentemente constroem modelos comerciais baseados em anúncios apresentados pelos próprios hosts.

Esses formatos podem ter valor elevado para anunciantes porque utilizam a relação de confiança estabelecida entre apresentador e audiência.

O Spotify não pretende substituir necessariamente esse modelo.

A plataforma oferece ferramentas para gerenciamento e acompanhamento das campanhas, enquanto o produtor continua responsável pela negociação comercial e mantém o valor obtido com o acordo.

Assim, o Partner Program funciona como uma camada adicional de monetização.

Brasil entra em nova fase da economia dos podcasts

A chegada do programa cria uma nova possibilidade para produtores brasileiros que tentam transformar podcasts em negócios sustentáveis.

Até agora, muitos projetos dependem principalmente de contratos diretos com anunciantes, assinaturas, financiamento coletivo ou receitas obtidas em outras plataformas.

Com o Partner Program, parte dessa monetização poderá acontecer diretamente no Spotify.

A mudança pode ser particularmente relevante para produções em vídeo.

Quanto maior o consumo do conteúdo por assinantes Premium elegíveis, maior pode ser a participação do programa na receita do criador, conforme a fórmula utilizada pela plataforma.

O modelo, entretanto, não estabelece um valor fixo pago por visualização.

O Spotify utiliza uma fórmula própria que considera diferentes fatores, incluindo tempo de consumo qualificado, mercado dos assinantes Premium, quantidade de usuários e volume total de conteúdo elegível assistido.

Por isso, duas produções com números semelhantes de visualizações não necessariamente receberão valores idênticos.

Expansão ocorrerá nos próximos meses

Apesar do anúncio feito nesta quinta-feira, produtores brasileiros ainda precisarão aguardar a liberação efetiva do programa.

O Spotify informou que a expansão para os novos mercados acontecerá gradualmente nos próximos meses.

A documentação da plataforma também deverá ser atualizada conforme Brasil e demais países forem incorporados oficialmente ao sistema de monetização.

Quando a disponibilidade for liberada, criadores elegíveis poderão utilizar as ferramentas do Spotify for Creators para verificar os requisitos e solicitar participação.

A expansão representa uma mudança importante na relação entre o Spotify e os produtores de conteúdo no Brasil.

Além de funcionar como distribuidor de podcasts, a plataforma passa a oferecer um caminho mais estruturado para transformar audiência em receita.

Para os criadores, a novidade abre novas possibilidades de remuneração. Para o Spotify, reforça uma estratégia que coloca áudio e vídeo dentro do mesmo ecossistema e amplia a disputa pelo mercado global de podcasts.

Ralph Rangel

Ralph Rangel é especialista em tecnologia e educação, unindo formação em TI e MBA em Governança à expertise em neurociência e desenvolvimento infantil. Sua atuação foca na convergência entre inovação tecnológica e processos de aprendizagem para impulsionar o ensino contemporâneo
Botão Voltar ao topo