Exposição reúne Carybé, Siron Franco, Poteiro e Juarez Machado na Vila Cultural Cora Coralina
Mostra gratuita apresenta 60 gravuras e destaca a diversidade estética das artes visuais brasileiras entre as décadas de 1960 e 2000
A Vila Cultural Cora Coralina, em Goiânia, inaugura nesta quarta-feira a exposição “4 Mestres da Arte”, que reúne 60 gravuras de Juarez Machado, Carybé, Antônio Poteiro e Siron Franco. A visitação segue até 1º de julho, com entrada gratuita, consolidando o espaço como um dos principais polos de artes visuais no centro da capital.
Com apoio do Governo de Goiás, por meio do Programa Goyazes e da Secretaria da Cultura, a mostra propõe um recorte da produção gráfica brasileira a partir da segunda metade do século 20. O conjunto evidencia diferentes matrizes estéticas e dialoga com movimentos que ajudaram a redefinir a arte no país entre as décadas de 1960 e 2000.
Ao todo, o público poderá ver dez gravuras de Juarez Machado, trinta serigrafias de Carybé, dez obras de Siron Franco e dez de Antônio Poteiro. Parte dessas peças pertence a coleções particulares e raramente é exibida em conjunto, o que amplia o interesse em torno da iniciativa.
A presença de Poteiro e Siron reforça a conexão da mostra com Goiás e com a formação de uma identidade artística regional. Ambos mantêm trajetória vinculada ao estado e figuram entre os nomes que projetaram a produção local no cenário nacional.
Juarez Machado, nascido em Joinville, construiu carreira internacional marcada por cenas urbanas que combinam ironia, teatralidade e crítica social. Suas gravuras exploram personagens e ambientes cotidianos com traços expressivos, que aproximam o público de narrativas visuais carregadas de humor e observação aguda.
Carybé, argentino radicado no Brasil desde 1949, tornou-se referência na representação da cultura afro-brasileira. Na exposição, estão reunidas trinta serigrafias da série “O Compadre de Ogum”, inspirada na obra de Jorge Amado e no universo simbólico de Salvador, com destaque para festas populares, religiosidade e mitologia dos orixás.
Antônio Poteiro, português de nascimento e goiano por escolha, destacou-se como um dos principais nomes da arte naïf no Brasil. Suas composições apresentam cores intensas e cenas que retratam celebrações, práticas religiosas e passagens do cotidiano, reafirmando o valor da cultura popular como tema central.
Siron Franco apresenta a série “Visões Rupestres”, que estabelece diálogo entre passado e presente ao reinterpretar inscrições ancestrais do Cerrado. As obras abordam memória, território e resistência dos povos originários, inserindo a discussão ambiental e histórica no campo da arte contemporânea.
A exposição também reforça o papel da Vila Cultural Cora Coralina como espaço de circulação de obras relevantes fora do eixo Rio-São Paulo. Localizada no Setor Central, ao lado do Teatro Goiânia, a instituição funciona diariamente das 9h às 16h, com fechamento às 17h, e mantém programação contínua voltada à formação de público.
A expectativa é de que estudantes, pesquisadores e visitantes interessados em artes visuais aproveitem o período de exibição para ampliar repertório e contato com a produção gráfica brasileira. Em um momento de valorização de acervos e revisitação de trajetórias históricas, a mostra insere Goiânia no circuito de exposições que revisitam mestres consolidados e estimulam o debate sobre identidade cultural e memória artística.