Daniel promove nova dança de cadeiras no núcleo central da máquina estadual
Trocas atingem SGG, Secom, Casa Militar, Seinfra e Administração e revelam nova rodada de acomodação interna no governo
A nova rodada de exonerações e nomeações publicada nas primeiras páginas do Diário Oficial desta terça-feira (5) mostra que o governo Daniel Vilela abriu mais uma frente de rearranjo interno em áreas centrais da administração estadual. As mudanças atingem a Secretaria-Geral de Governo, a Secretaria de Estado da Comunicação, a Casa Militar, a Secretaria de Estado da Infraestrutura e a própria Secretaria da Administração, em um movimento que vai além da mera reposição burocrática e sinaliza reacomodação política no núcleo do Executivo.
Na Secretaria de Estado da Comunicação, a mudança teve peso ainda maior. Filemon Pereira Miguel deixou a Subsecretaria de Comunicação, abrindo espaço para Dyego Spindola Bastos, que saiu da função de assessor especial. Cristina Alves Nogueira, que aparecia na chefia de gabinete, foi substituída por Thaís Couto de Brito Medeiros. Já Márcia de Souza Taveira deixou vaga aberta na Gerência de Gestão e Finanças. Em paralelo, uma sequência de remanejamentos internos levou à nomeação de Mônica Parreira Araújo Porto, Marcelo Augusto Luiz Tavares Santos, Eduardo Bernardo Cruz, Maria Paula de Azevedo Borges, Camila Costa Marinho, Daiane Paes Rodrigues, Briana Silva e Elieth Ferreira Rosa. O alcance das trocas mostra que a Comunicação deixou de ser apenas área operacional e passou a ser tratada como espaço estratégico de comando político.
O volume de alterações na Secom chama atenção porque mexe justamente em uma área central para a construção da narrativa do novo governo. Quando uma gestão promove substituições em cadeia na comunicação oficial, o gesto costuma indicar mais do que ajuste técnico: revela tentativa de reorganizar linguagem, comando e fluxo de decisão. Ao trocar a cúpula e, ao mesmo tempo, redesenhar a base de assessores, o governo sinaliza que quer mais alinhamento, mais disciplina interna e menor margem para ruído em um momento em que a imagem administrativa passou a ter valor político ainda maior.
Na Secretaria-Geral de Governo, uma das trocas mais relevantes foi a saída de Cassiano de Brito Rocha da Superintendência de Políticas para Transportes e Mobilidade, com a nomeação de Jean Damas da Costa para o posto. Em efeito cascata, Jean deixou a Gerência de Transporte e Mobilidade Urbana, assumida por Pedro Paulo Bezerra Gonçalves, que por sua vez abriu vaga na Secretaria da Administração para Isabela Pereira Macedo Dutra. O desenho evidencia um padrão já conhecido: não se trata de renovação externa, mas de circulação interna de quadros dentro da máquina.
Ainda na SGG, Edir Lopes de Oliveira Júnior deixou a chefia de gabinete para dar lugar a Cristina Alves Nogueira. Maria Lúcia Correia Soares Costa foi exonerada do cargo de assessor técnico especial, substituída por Márcia de Souza Taveira. No mesmo pacote, Christiane Almeida Aires Farias, Aline Almeida de Oliveira e o próprio Edir foram deslocados para funções com lotação na estrutura da Secretaria-Geral de Governo. A mensagem política é objetiva: o Palácio reforça o controle de sua engrenagem central com nomes já testados na estrutura administrativa.
Na Casa Militar, o Diário Oficial também mostra reposicionamentos que reforçam o avanço do núcleo palaciano sobre cargos estratégicos. Priscila da Silva Souza foi deslocada para função com lotação no órgão, assim como Alexandre Fernandes Mourão e Jorival de Melo Souza, todos oriundos da estrutura da Secretaria da Administração. O padrão se repete: a Casa Militar absorve nomes da base administrativa do governo e amplia sua malha de confiança num espaço sensível do Executivo. Não é uma alteração isolada, mas parte do mesmo redesenho político-administrativo visto nas demais pastas.
Na Secretaria da Infraestrutura, Fernando de Castro Fagundes foi retirado da Gerência de Planejamento e Finanças para assumir a Superintendência de Planejamento do Fundo Estadual de Infraestrutura. Ao mesmo tempo, ele foi nomeado interinamente, por até 90 dias, para continuar acumulando a gerência que ocupava antes, após a saída, a pedido, de Leonardo Oliveira Meneses da Gerência de Avaliação de Projetos. O arranjo expõe uma contradição recorrente da administração pública: ao mesmo tempo em que promove mudanças para demonstrar dinamismo, o governo recorre à concentração provisória de funções em um mesmo nome para evitar descontinuidade, o que sugere transição ainda incompleta.
Na Secretaria da Administração, que abastece boa parte dessas movimentações, houve novas trocas em série, com mudanças envolvendo Amanda Priscila da Silva Rodrigues, Fábio Moreira Camargo, Maria Eduarda Cardoso dos Santos, Mariana Soares de Oliveira, Gustavo Henrique Silva Moreira Roriz, Keiliane dos Santos Silva, Iasmym Alves Rodrigues, Poliana Ferreira David de Carvalho, Maryana de Souza Santana Dourado, Izabella Moreira Duarte, Thaís Gonçalves da Silva e Ronny Fernando Almeida Rodrigues, entre outros. O saldo político da edição é claro: o governo não está apenas preenchendo vagas, mas redistribuindo poder, influência e comando dentro do núcleo administrativo. Quando a dança de cadeiras alcança simultaneamente Governo, Comunicação, Casa Militar, Infraestrutura e Administração, o que se vê não é rotina, mas uma nova etapa de acomodação interna do poder estadual.