Cidades

Educação de Aparecida terá paralisação na quinta em meio a impasse com a prefeitura

Categoria cobra titularidades, progressões, piso na carreira docente, data-base e descongelamento previsto em lei complementar

Os servidores da rede municipal de educação de Aparecida de Goiânia anunciaram uma paralisação de um dia para a próxima quinta-feira (7), com concentração marcada para as 8h em frente à Secretaria Municipal de Educação (SME). A decisão foi tomada em assembleia geral e integra um novo movimento de pressão da categoria por avanços em pautas funcionais e salariais. O ato é convocado pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (Sintego) – Regional Aparecida de Goiânia, que afirma dar continuidade a uma sequência recente de mobilizações envolvendo profissionais dos quadros administrativo e pedagógico.

Segundo o sindicato, a paralisação ocorre em meio à insatisfação de servidores que cobram do poder público respostas concretas para reivindicações consideradas antigas e já conhecidas da administração municipal. Entre os pontos centrais estão a negociação das titularidades, as progressões vertical e horizontal e o pagamento do piso dentro da carreira docente. A avaliação da entidade é de que, sem pressão coletiva, as pautas seguem sem solução efetiva, o que levou à convocação de mais um dia de paralisação.

De acordo com o Sintego, também está em discussão a data-base dos servidores administrativos e o descongelamento previsto na Lei Complementar nº 226/2026. O sindicato sustenta que essa medida precisa ser efetivada com pagamento retroativo e aplicação na progressão horizontal, por letras, de modo a assegurar integralmente o direito reivindicado pelos trabalhadores. Para a entidade, não basta reconhecer o dispositivo legal: é necessário que ele produza efeitos concretos na vida funcional e financeira da categoria.

A paralisação também amplia o escopo da mobilização para outras pautas que, segundo os servidores, seguem pendentes. Entre elas está o enquadramento conforme a Lei nº 15.326/2026, além de discussões relacionadas à terceirização da merenda escolar e ao auxílio-alimentação dos administrativos. O sindicato argumenta que a mobilização não se restringe a um item isolado, mas reúne um conjunto de demandas que atingem diferentes segmentos da educação municipal e expõem um quadro mais amplo de desgaste nas relações entre categoria e gestão.

Na leitura da entidade sindical, o movimento atual se fortalece a partir do histórico recente de adesão registrado em outras ações. Na última paralisação, realizada em 15 de abril, o Sintego de Aparecida informou ter mobilizado mais de 800 servidores em frente ao Paço Municipal. Segundo a organização, participaram profissionais tanto do quadro administrativo quanto do pedagógico, o que foi apresentado como sinal de unidade interna e de ampliação do alcance da mobilização.

Com base nesse antecedente, a expectativa do sindicato é de nova adesão expressiva no ato marcado para quinta-feira. A entidade afirma que, após audiência realizada com a Secretaria Municipal de Educação, não houve avanço nas negociações. Esse cenário, segundo o Sintego, reforçou a percepção de que a categoria precisa manter a pressão pública para tentar destravar as pautas. A paralisação, assim, é apresentada como resposta à ausência de solução após as tratativas mais recentes.

O sindicato sustenta que a mobilização busca contemplar toda a categoria, reunindo servidores de diferentes funções em torno de reivindicações comuns. A estratégia é demonstrar que os impasses não atingem apenas um grupo específico, mas atravessam o cotidiano administrativo e pedagógico da rede municipal. Ao convocar o ato, a entidade tenta transformar a insatisfação difusa em demonstração organizada de força, com o objetivo de pressionar a prefeitura a formalizar encaminhamentos mais claros.

A prefeitura de Aparecida de Goiânia, por sua vez, se manifestou por meio de nota oficial. No posicionamento, a administração afirma que o município paga acima do piso nacional da categoria docente. Também informa que, em relação à recomposição salarial, o reajuste referente à data-base dos servidores administrativos será pago a partir da folha do mês de maio. A gestão busca, com isso, demonstrar que parte das demandas apresentadas pelo movimento já estaria em encaminhamento.

Ainda segundo o município, o reajuste do piso do magistério também será implementado a partir de maio. A manifestação oficial tenta rebater parte do argumento sindical de que não há avanço nas pautas salariais. Mesmo assim, a paralisação foi mantida, o que indica que a resposta da prefeitura não foi suficiente para encerrar o impasse nem para atender o conjunto das reivindicações levantadas pela categoria em assembleia.

O cenário, portanto, aponta para mais um capítulo de tensão entre os profissionais da educação municipal e a administração de Aparecida de Goiânia. De um lado, o sindicato afirma que faltam avanços reais em temas funcionais e salariais relevantes. De outro, a prefeitura sustenta que já adota medidas de valorização e que parte dos reajustes começará a ser paga. No centro da disputa, a paralisação desta quinta-feira deve funcionar como novo termômetro da capacidade de mobilização da categoria e da disposição da gestão em reabrir as negociações.

NOTA DA SME
“A Secretaria Municipal de Educação de Aparecida de Goiânia (SME) informa que todos os professores da rede municipal recebem remuneração acima do piso nacional do magistério, reafirmando o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais da educação.

Em relação à recomposição salarial, a SME esclarece que o reajuste referente à data-base dos servidores administrativos será pago a partir da folha do mês de maio. Da mesma forma, o reajuste do piso do magistério também será implementado a partir de maio.

Redação GOYAZ

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