Estados Unidos autorizam teste de arma de energia na fronteira sul
Memorando prevê empréstimo por sete meses e atribui ao DHS responsabilidade pelos testes

O Pentágono autorizou o Departamento de Segurança Interna a receber e testar um sistema de energia direcionada concebido para uso militar, segundo um memorando assinado por Pete Hegseth no mês passado. O documento detalha um período de empréstimo de sete meses a partir de setembro e atribui ao departamento a responsabilidade exclusiva pelo emprego operacional e pelo desenvolvimento de táticas e procedimentos.
O equipamento, conhecido como Sistema de Negação Ativa, produz um feixe de micro-ondas de alta frequência capaz de alcançar algo em torno de 800 metros, de acordo com informações das Forças Armadas. O efeito relatado por militares é uma sensação aguda de calor na superfície da pele que provoca reflexo de afastamento e, conforme avaliações anteriores, desaparece em minutos.
Autoridades civis e militares discutiram internamente a aplicação do sistema para dispersar aglomerações em trechos da fronteira sul que registram aumento de travessias irregulares, conforme relatos de ex-integrantes da Alfândega e Proteção de Fronteiras. O pedido submetido ao Pentágono não especificou locais ou procedimentos operacionais detalhados e deixou margem para que o Departamento de Segurança Interna defina protocolos durante o período de avaliação.
Relatos oficiais indicam que as Forças Armadas já testaram o sistema em teatros externos há quase duas décadas, mas concluíram que seu emprego em combate ativo não seria adequado, segundo fonte militar. Discussões anteriores também avaliavam o uso do aparelho para controle de detidos e para operações de dispersão em instalações no exterior, mas essas propostas foram abandonadas por questões legais e operacionais.
A análise sobre a aplicação na fronteira inclui preocupações com soberania e com os limites legais do uso de força não letal, especialmente se o sistema fosse acionado contra pessoas ainda em território estrangeiro. Autoridades expressaram receio de resultados indiretos, como deslocamento de migrantes para locais de maior risco e aumento de ocorrências de salvamento, o que demandaria planejamento de resposta por parte das agências.
Em revisões internas anteriores, lideranças do Departamento rejeitaram propostas que tratassem migrantes como alvos similares a combatentes, apontando implicações de direitos humanos e riscos reputacionais e jurídicos. Funcionários que acompanharam debates lembram que decisões sobre emprego de tecnologias desse tipo exigem políticas claras, treinamento específico e avaliação de custos operacionais antes de qualquer implantação em campo.
O memorando determina que o sistema não deverá ser operado por integrantes do Departamento de Guerra, deslocando a responsabilidade operacional e legal para o Departamento de Segurança Interna durante o empréstimo. Caso os testes demonstrem eficácia e conformidade jurídica, o departamento poderá submeter novo pedido de continuidade para manter o equipamento além do período inicialmente previsto.
Representantes da Alfândega e Proteção de Fronteiras indicaram que avaliam constantemente tecnologias que possam reforçar capacidade operacional, sem comentar detalhes do cronograma ou de medidas de mitigação adotadas. O Pentágono remeteu consultas ao departamento responsável pela segurança interna quando indagado sobre a autorização de empréstimo e sobre a previsão de uso em área fronteiriça.
A discussão pública sobre o tema envolve atores legislativos, organizações de direitos e especialistas em segurança, que apontam a necessidade de clareza sobre rigor técnico, salvaguardas e responsabilidade civil. Grupos de defesa manifestaram preocupação com potenciais efeitos adversos e com a ausência de normas internacionais específicas que regulamentem o emprego de armas de energia direcionada em contextos migratórios.
Especialistas afirmam que qualquer emprego futuro do sistema na fronteira exigirá avaliação epidemiológica e protocolos de assistência médica imediata para mitigar riscos de danos diretos ou secundários à saúde dos atingidos. O período de testes e as decisões subsequentes terão impacto sobre práticas de fiscalização e sobre o debate nacional a respeito de métodos de controle migratório, conforme interlocutores consultados por esta reportagem.