Mundo

Reino Unido autoriza produção de gás Jackdaw para reforçar oferta

Produção deve começar ainda neste mês e elevar a oferta nacional em cerca de 6%

O governo do Reino Unido autorizou a exploração do campo de gás Jackdaw no Mar do Norte em decisão comunicada publicamente e motivada por preocupações de segurança energética e oferta nacional. A autorização foi anunciada em comunicado oficial na quarta-feira (21) e gerou reações contrárias de grupos ambientais e manifestações em Londres contra o início dos trabalhos no mesmo dia.

Segundo o executivo, o campo Jackdaw, localizado a cerca de 241 quilômetros a leste de Aberdeen, deverá iniciar fornecimento de gás já a partir do final deste mês para consumidores residenciais e comerciais. O governo afirmou que a produção máxima do campo aumentará em torno de 6% a oferta nacional no auge das extrações, com vida útil estimada em até 11 anos e impacto econômico direto.

A administração também anunciou a criação do Energy Wealth Fund com aporte inicial previsto de 2 bilhões de libras para financiar projetos de energia renovável e de baixo carbono nas próximas fases da política energética. O executivo ressaltou que essa medida visa canalizar receitas fiscais do setor hidrocarburífero para a transição, enquanto analistas destacam que o efeito sobre preços finais de energia tende a ser limitado no mercado doméstico.

O anúncio coincidiu com a publicação de um relatório da ONU sobre o clima, divulgado na quarta-feira (21), que reafirma a perspectiva de ultrapassagem da meta de 1,5 grau Celsius estabelecida pelo Acordo de Paris. Organizações ambientalistas classificaram a decisão como incompatível com limites climáticos seguros e advertiram que novos projetos de petróleo e gás agravarão riscos de eventos extremos observados no país e no exterior.

Autoridades e sindicatos defenderam a exploração como resposta pragmática à emergência de oferta e à necessidade de preservar empregos na cadeia de suprimentos do Mar do Norte. Especialistas em energia alertam que o aumento da produção doméstica terá impacto limitado sobre as tarifas residenciais porque os preços seguem referências europeias e o custo global do gás natural liquefeito.

Economistas apontam que o projeto pode gerar receitas fiscais adicionais e impulsionar empregos locais, sobretudo nas empresas prestadoras de serviços e na cadeia logística vinculada às operações offshore. Os sindicatos GMB e Unite apoiaram a autorização em comunicados divulgados na quarta-feira (21), ao argumentarem que a continuidade das atividades protege postos de trabalho durante a transição energética.

O governo terá de decidir nos próximos meses se aprova o campo de petróleo de Rosebank, próximo às ilhas Shetland, que tem estimativas de reservas na ordem de 300 milhões de barris. Executivos do consórcio responsável defendem que a aprovação teria argumentos econômicos semelhantes aos do projeto Jackdaw, enquanto analistas de clima reiteram que a maioria dos recursos já foi extraída e urge acelerar a transição.

A decisão expõe o dilema entre segurança de abastecimento no curto prazo e metas climáticas de longo prazo, colocando o governo sob pressão de diferentes setores políticos e econômicos. A escolha sobre Jackdaw e o eventual veredito sobre Rosebank tendem a marcar a agenda energética dos próximos anos e a influenciar políticas de investimento público e privado no país.

Redação GOYAZ

Redação Ligação Direta: 36024225 Redação Plantão Whatsapp: ( 62) 983035557
Botão Voltar ao topo