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Irã afirma disposição para diálogo mas mantém capacidade de defesa

Em artigo internacional, ministro iraniano afirma preferência por solução pacífica e condiciona negociações ao atendimento de exigências e medidas de segurança.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, publicou um artigo no Financial Times quarta-feira (21) afirmando que Teerã privilegia a via diplomática como prioridade. Ao mesmo tempo, ele deixou claro que o país manterá meios de defesa e reação diante de ameaças, com postura considerada preparada por autoridades iranianas.

Araqchi sustenta que Teerã busca uma solução pacífica e digna para o conflito regional, mas justificou medidas defensivas como parte de sua estratégia de segurança nacional. Ele também criticou a falta de disposição declarada por parte da Casa Branca para negociações e avaliou que há poucas perspectivas de avanço imediato no diálogo bilateral.

Fontes oficiais iranianas informaram ao comandante do Exército do Paquistão, durante reunião em Teerã, que o país não aceitará negociações enquanto suas demandas não forem atendidas. A declaração, divulgada pela mídia local, reforça o endurecimento da postura iraniana apesar das tentativas de mediação por parte do Paquistão como interlocutor regional.

O presidente Masoud Pezeshkian recebeu o marechal de campo Asim Munir para discutir os esforços de mediação e os efeitos regionais das recentes tensões, segundo comunicado oficial. A agenda incluiu consultas sobre segurança marítima e diplomacia, e o enviado paquistanês também se reuniu com o presidente do Parlamento Mohammed Baqer Qalibaf para ampliar o diálogo.

Teerã listou sete condições para retomar conversas, entre elas o fim do bloqueio a portos iranianos, a suspensão das sanções sobre exportações de petróleo e a cessação das hostilidades regionais. As exigências foram apresentadas no contexto da reabertura proposta do Estreito de Ormuz e permanecem como condição prévia para qualquer avanço nas negociações multilaterais.

O chefe de segurança Mohsen Rezaei reiterou em encontro com o representante paquistanês que não haverá negociações enquanto as demandas não forem cumpridas, segundo relatos oficiais iranianos. Rezaei acrescentou que todo o material nuclear enriquecido permanecerá no Irã, reiterando a posição do líder supremo Mojtaba Khamenei sobre o controle das reservas nucleares.

Do lado americano, o vice-presidente JD Vance afirmou que o Irã precisa reduzir de forma significativa sua capacidade de enriquecimento de urânio para atender exigências e facilitar a paz. A posição americana vincula avanços diplomáticos à modificação de programas nucleares iranianos, em resposta a uma disputa que já se estende por oito meses com efeitos regionais.

Países ocidentais têm apontado para o enriquecimento iraniano a 60 por cento como evidência de risco de armamento, citando esse nível como muito superior ao necessário para propósitos civis. O Irã, por sua vez, nega a intenção de desenvolver armas nucleares e mantém discurso público voltado para usos energéticos e científicos do programa nuclear nacional.

Analistas consultados por agências internacionais dizem que as condições recíprocas e a desconfiança mútua reduzem as chances de um acordo próximo, mantendo a região em estado de alerta diplomático. O histórico de tentativas de mediação do Paquistão, incluindo um acordo provisório assinado em junho que depois fracassou, limita a capacidade de restabelecer confiança entre as partes envolvidas.

A continuidade do impasse terá impacto direto na segurança marítima e na navegação do Estreito de Ormuz, setor vital para o transporte de petróleo e comércio internacional. A persistência das sanções e das retóricas competitivas pode elevar a tensão nos mercados de energia e complicar iniciativas diplomáticas futuras em fóruns multilaterais.

Redação GOYAZ

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