Fábio Luciano critica tapa atribuído a Neymar em treino no Santos
Ex-jogador e comentarista considerou o gesto humilhante enquanto o clube abriu sindicância para apurar o caso e requisitar imagens do treino
Fábio Luciano, ex-zagueiro campeão pelo Corinthians e atual comentarista, avaliou publicamente o episódio de agressão atribuído a Neymar durante um treino do Santos neste fim de semana. O comentário foi feito em programa esportivo e ganhou repercussão por tratar diretamente da conduta do atacante em relação ao jovem Robinho Jr dentro das dependências do clube.
Luciano relatou ter presenciado cenas de confronto em treinos ao longo da carreira, mas qualificou o suposto tapa como diferente de outros atos de agressão entre atletas profissionais. Para o ex-jogador, o gesto atribuído ao capitão do elenco do Santos traz dimensão de humilhação que não se confunde com uma briga corporal mais direta entre adultos em disputa por posição.
No relato ao programa, Luciano afirmou que em momentos de aquecimento e disputa por vagas já houve xingamentos e até chutes em treinos, comportamento que considera compreensível no contexto competitivo. Ele acrescentou que, apesar de episódios comuns, o fato atribuído a Neymar mereceria avaliação mais rigorosa por envolver um gesto com potencial de desgaste pessoal e institucional para o clube.
O suposto incidente foi registrado como tendo ocorrido no treino do domingo (3), conforme relato de pessoas próximas ao atacante jovem que afirma ter sido alvo da agressão. A versão divulgada pelo atleta afetado aponta para uma sequência de ações que incluiria um tapa, palavras de baixo calão e uma rasteira durante a atividade de preparação do elenco.
Em nota oficial emitida na segunda-feira (4), o Santos informou ter aberto sindicância interna para apurar as circunstâncias do episódio e avaliar eventuais medidas administrativas. A instituição declarou que adotará procedimento formal para colher depoimentos, analisar imagens e adotar providências com base nos resultados da investigação administrativa em curso.
A reportagem apurou que o jogador que alega ter sido agredido e sua equipe técnica solicitaram ao clube a disponibilização dos registros visuais do treino para exame e comprovação dos fatos. Fontes próximas ao processo também informaram que a alternativa contratual, incluindo pedido de rescisão apontado pelos representantes do atleta, foi mencionada como possibilidade diante do contexto investigativo.
O vínculo do jogador com o clube havia sido renovado no mês anterior com validade contratual até 2031, segundo informações públicas registradas pela assessoria de imprensa do Santos. A possibilidade de rescisão unilateral por parte do atleta ou de medidas disciplinares por parte do clube será definida a partir das conclusões da sindicância e do exame das imagens solicitadas.
O episódio reacendeu debate sobre comportamentos de jogadores experimentados em relação a jovens atletas em ambientes de treinamento, tema que ganhou atenção pela natureza das manifestações relatadas. Especialistas consultados lembraram que protocolos internos e canais de denúncia são instrumentos previstos para lidar com conflitos e preservar a integridade física e moral de profissionais nas categorias de base e profissionais.
O contexto público também inclui histórico de relacionamento entre as famílias e o atacante, que fez declaração pública ao retornar ao clube no início de 2025 sobre o compromisso de cuidado com o jovem jogador. Na ocasião, a publicação em rede social foi interpretada como gesto de proximidade e intenção de tutela profissional entre o atleta veterano e o jovem que integra o elenco santista.
O histórico familiar e judicial do pai do jovem também compõe a contextualização pública, uma vez que há decisão penal estrangeira confirmada pela justiça brasileira contra o ex-jogador Robinho por crime cometido em 2013. O cumprimento da pena, com execução determinada no Brasil, levou à prisão do condenado em Tremembé desde março de 2024, informação que tem presença constante em reportagens sobre o caso.
A postura adotada pelo clube na condução da apuração será observada por entidades esportivas e por advogados que acompanham contratos e relações de trabalho no futebol profissional brasileiro. Decisões administrativas podem incluir advertência, suspensão, multa ou medidas disciplinares que guardem relação com a gravidade dos fatos apurados e com as normas internas do clube e das confederações.
A avaliação pública das declarações de comentaristas e ex-jogadores também terá influência sobre a percepção da torcida e sobre o ambiente de trabalho interno, conforme analistas ouvidos pela reportagem. Luciano manteve posicionamento crítico e sugeriu que gestos humilhantes, se comprovados, exigem resposta proporcional tanto para preservar a imagem institucional quanto para garantir proteção aos profissionais mais jovens.
O desfecho da sindicância e eventual movimentação contratual devem ser comunicados oficialmente pelo Santos após a conclusão das diligências internas previstas no procedimento disciplinar em curso. Enquanto isso, fontes envolvidas explicaram que a preservação de provas e o acesso a imagens são passos fundamentais para respaldar decisões administrativas e possíveis medidas judiciais subsequentes.
A cobertura seguirá com atualizações conforme o Santos conclua a sindicância e disponibilize informações sobre prazos e conclusões, previsão que depende do tempo necessário para a coleta de depoimentos e análise pericial. Reportagem do jornal manterá registro dos desdobramentos e ouvirá todas as partes envolvidas para compor linha editorial que dê conta dos fatos confirmados e do contexto institucional em que ocorreram.