Deputado do Rio detido em operação que apura fraudes na Educação
A ação policial investiga possível esquema de direcionamento de contratos da rede estadual de ensino e movimentos financeiros para empresas vinculadas aos investigados
O deputado estadual Thiago Rangel foi detido pela Polícia Federal na manhã de terça-feira (5) em operação que investiga supostas fraudes na Secretaria de Educação do Rio. Agentes cumpriram mandados de prisão e busca e apreensão em diferentes municípios do estado, segundo informações da investigação que apura direcionamento de contratações públicas a empresas selecionadas.
A apuração focaliza possível atuação de organização criminosa voltada à prática de fraudes em processos de compra de materiais e prestação de serviços para obras em escolas estaduais. Investigadores apontam que contratos eram direcionados a empresas ligadas ao grupo e que recursos públicos foram sacados e redistribuídos por meio de transferências bancárias entre empresas relacionadas.
O parlamentar, que tem histórico no setor privado como empresário varejista, já foi alvo de investigação em 2024 por suspeitas de fraudes em licitações envolvendo postos de combustíveis no estado. Na ocasião foram atribuídos indícios de participação em organização criminosa além de crimes contra a administração pública e operações financeiras destinadas a ocultar a origem dos recursos.
Rangel foi eleito vereador em Campos dos Goytacazes no pleito de 2020 e assumiu mandato municipal antes de disputar e vencer a eleição para deputado estadual em 2022. Ele obteve 31.175 votos na votação estadual e passou a integrar a Assembleia Legislativa com atuação em frentes relacionadas a temas de transporte e fiscalização técnica no estado.
Antes de assumir mandato eletivo Rangel ocupou cargos técnicos em órgãos estaduais, entre eles a superintendência regional do IPEM-RJ e a diretoria de fiscalização do Detro-RJ. Essas funções envolveram fiscalização de peso e medidas e atividades relacionadas à regulação e à fiscalização da frota de transporte coletivo no âmbito estadual.
A fase mais recente da operação resultou em prisões e em cumprimento de mandados de busca e apreensão nas cidades do Rio de Janeiro, Campos dos Goytacazes, Miracema e Bom Jesus do Itabapoana. Foram expedidos também mandados de prisão contra outros investigados e os pedidos da investigação alcançaram pessoas físicas e empresas com atuação em contratos públicos vinculados à educação.
Segundo a investigação, a apuração teve início após análise de mídias apreendidas em fases anteriores que indicaram a possível divulgação de informações sigilosas por agentes públicos. A partir desse material os investigadores seguiram pistas sobre o direcionamento de processos de contratação realizados por unidades escolares vinculadas à Diretoria Regional Noroeste da Secretaria de Educação.
As apurações apontam que os pagamentos feitos por meio de contratos eram sacados por sócios ou procuradores e depois transferidos para empresas associadas aos membros do grupo investigado. Os investigadores também identificaram indícios de que valores desviados foram misturados com recursos de origem lícita em contas vinculadas a uma rede de postos de combustíveis administrada por integrantes da organização.
A operação já havia levado à prisão de outra liderança política em dezembro de 2025, o que ampliou a investigação sobre o alcance do suposto esquema dentro da Assembleia Legislativa. Autoridades afirmam que a continuidade das investigações visa esclarecer vínculos entre agentes públicos, empresas contratadas e operadores financeiros que teriam atuado no repasse e na dissimulação dos recursos.
O deputado e os demais presos seguem à disposição da Justiça e poderão responder a acusações que incluem organização criminosa, corrupção, peculato e lavagem de dinheiro conforme linhas investigativas apontadas até o momento. Autoridades responsáveis pelo caso informaram que as diligências prosseguem e que novas medidas poderão ser decretadas à medida que os elementos coletados forem analisados pela força tarefa.