https://www.reuters.com/article/hantavirus-ship navio de expedição com cerca de 150 pessoas permanece retido em águas de Cabo Verde enquanto autoridades investigam um surto suspeito de doença. Passageiros de várias nacionalidades, em sua maioria provenientes de Reino Unido, Estados Unidos e Espanha, estão a bordo sob orientação para permanecer em seus compartimentos como medida de precaução.
Três mortes associadas ao surto foram registradas, incluindo um casal de cidadãos dos Países Baixos e um tripulante alemão, e outras pessoas apresentaram sintomas compatíveis com infecção. Autoridades de saúde internacionais confirmaram a presença do hantavírus em pelo menos um paciente e informaram que investigações laboratoriais continuam para determinar o alcance da transmissão entre os afetados.
## Navio com 150 pessoas impedido de atracar em Cabo Verde por surto
Autoridades de Cabo Verde comunicaram que, como medida preventiva, não autorizaram o atracamento do navio MV Hondius, registrado sob bandeira dos Países Baixos, enquanto prosseguem os exames. A operadora da embarcação orientou que passageiros permaneçam em suas cabines e afirmou que coordena repatriações e a avaliação de desembarque em portos alternativos nas Ilhas Canárias e outros pontos.
A expedição partiu de Ushuaia em março e percorreu rotas pela Antártica, Ilhas Malvinas, Geórgia do Sul e ilhas remotas antes de cruzar o Atlântico rumo a Cabo Verde. O itinerário documentado inclui escalas em locais com histórico de circulação de hantavírus na América do Sul, o que mantém aberta a investigação sobre a origem da infecção entre passageiros e tripulantes.
Especialistas explicam que o hantavírus pode causar síndrome respiratória grave e que a transmissão ocorre principalmente pela inalação de partículas contaminadas por fezes ou urina de roedores. Não há terapias antivirais específicas aprovadas para a doença, portanto o atendimento concentra-se em suporte clínico, incluindo ventilação mecânica em casos com insuficiência respiratória, segundo autoridades de saúde.
Cerca de 150 pessoas permanecem a bordo e a operadora informa que busca repatriar dois tripulantes sintomáticos, um cidadão britânico e um cidadão holandês, e coordenar remoção de corpos. Um passageiro britânico que deixou a embarcação recebeu atendimento em uma clínica privada em Joanesburgo e permanece sob observação enquanto exames confirmatórios continuam sendo processados.
O Departamento de Saúde da África do Sul informou que dois dos mortos eram cidadãos dos Países Baixos e que um deles faleceu em Santa Helena em 11 de abril. A esposa do homem de 70 anos morreu posteriormente na África do Sul após desmaiar no Aeroporto Internacional O.R. Tambo e outro passageiro alemão foi declarado morto a bordo em sábado (2).
As autoridades afirmam que a origem do surto ainda é incerta e que hipóteses incluem exposição a roedores a bordo ou infecção durante escalas em países da América do Sul onde o vírus circula. Pesquisadores observam que algumas espécies de hantavírus na região têm registro de transmissão entre humanos em circunstâncias específicas, o que torna relevante o fato de o navio ter partido da Argentina em março.
A Organização Mundial da Saúde avaliou que o risco para a população geral é baixo e que não há indicação de restrições de viagem no momento, conforme comunicado oficial. As autoridades espanholas disseram não ter recebido pedido de atracação e o Ministério das Relações Exteriores dos Países Baixos foi informado de que a operadora faria a solicitação.
Passageiros relataram ansiedade e incerteza a bordo, com mensagens destacando dificuldades de comunicação e o impacto nas famílias que aguardam notícias em terra sobre o desfecho dos casos. Especialistas consultados estimam que, apesar da confirmação em ao menos um paciente, os indícios não apontam para um surto de larga escala, mas reforçam a necessidade de monitoramento e medidas de biossegurança.